#LazerEmCasa: The Hate U Give

A indicação do #LazerEmCasa vem com emoção do começo ao fim.

The Hate U Give (trad. O Ódio Que Você Semeia) é um filme de 2018, dirigido por George Tillman Jr e inspirado no livro homônimo, escrito por Angie Thomas.

O filme conta história de Starr Carter, “uma jovem negra de 16 anos que vive com os pais e os dois irmãos em um bairro periférico que sofre com muitos problemas relacionados às drogas e à violência. Por causa disso, ela e seus irmãos foram colocados pelos pais em um colégio de uma área mais rica da cidade. Com isso, Starr aprendeu a se dividir entre a menina da periferia e a menina do colégio rico. Mas todo o status quo é abalado quando Starr testemunha o assassinato de um amigo de infância por um policial branco, dando início a uma série de conflitos em sua região. Inicialmente, Starr não quer se manifestar, mas aos poucos vai percebendo que ela tem muito a dizer” (SALGADO, 2018).

Observando título do filme já é notado uma gama de referência: The Hate U Give, T.H.U.G. remete ao movimento social “T.H.U.G. L.I.F.E” criado pelo rapper Tupac em meados de 1992. Em tradução livre, “thug life” significa “vida bandida”; entretanto, trata-se de uma abreviação da frase “The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody” ou, em português, “o ódio que você passa para as crianças ferra com todo mundo“. Essas eram as palavras de protesto do grupo que lutava contra as inúmeras mortes e a violência policial nos subúrbios norte-americanos na década de 90. Tupac foi assassinado em 1996 — após levar quatro tiros — e até hoje é desconhecido o autor dos disparos.

The Hate U Give é um longa-metragem que nos apresenta a perspectiva de uma jovem mulher preta acerca de assuntos como sexualidade, racismo, violência policial e necropolítica. Não é sempre que Hollywood se interessa em contar a história de vida de uma mulher preta, então esse protagonismo e essa voz são elementos que chamam muita atenção durante todo o filme.

A trilha sonora, repleta de rappers — como o próprio Tupac, Kendrick Lamar e Travis Scott — conhecidos por denunciar o racismo estrutural e a violência policial ao mesmo tempo em que exaltam a pele preta é outro ponto essencial da obra.

O longa apresenta de forma muito real, e até mesmo didática, a presença da violência no cotidiano dos/das jovens pretos/pretas, desde a infância. O medo, a dor e os traumas são apresentados de inúmeras formas: de uma simples conversa na escola até uma audiência no tribunal.

Bom filme!

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