#LazerEmCasa: A Cor Púrpura
“— …Nada irrita mais Deus do que passar pela cor púrpura, no campo, e não notar…
— Você acha que a cor só quer ser amada, como diz a bíblia?
— Acho, Celie, tudo quer sempre ser amado…”
Este é um dos diálogos entre Shug Avery e Celie no filme, que é baseado num impactante livro de Alice Walker, A Cor Púrpura (1995), de Steven Spielberg.
O longa apresenta diversas histórias de mulheres que querem ser amadas, que se conectam e atravessam a história de Celie, que também deseja sentir-se amada. Num período de 40 anos, no século XX estas histórias se desenvolvem sendo narradas por Celie, uma adolescente que, após a morte da sua mãe, vive apenas com sua irmã, Netie, e seu pai. Ainda na adolescência, Celie é violentada e abusada por seu pai, tendo 2 filhos dele, que ao nascerem são doados a um casal de missionários. Situada num ambiente tão devastador, sua irmã Netie era a única pessoa com quem ela podia contar.
Esta união entre as duas irmãs logo é interrompida quando um viúvo, Mister, pede a mão de Netie ao seu pai, que não aceita a proposta, mas oferece-lhe Celie em lugar de Netie. Se com o pai Celie aprendeu que era feia e desprezível, agora sendo tratada como serviçal por Mister, e também violentada física e psicologicamente, o sentimento de inferioridade toma conta de Celie, que aprende a ser retraída, a não sorrir, a não falar, em suma, a se anular.
A história de Celie se cruza com a de Sofia, namorada e posteriormente esposa de Harpo, um dos filhos de Mister. Sofia é uma mulher que não se sujeita às imposições machistas dos homens, por isso é descrita como indomável por eles. Na primeira tentativa de Harpo de agredir Sofia ele é quem sai ferido. Sofia se impõe fortemente, mas não é só contra o machismo que teve de enfrentar, sendo mulher negra no século XX, o racismo foi seu pior inimigo. Sua vida muda drasticamente ao se deparar com uma mulher branca que a vê como serviçal.
Além de Sofia, outra mulher cuja história se encontra com a de Celie é a Shug Avery. Shug é uma paixão antiga de Mister, que a leva para casa quando ela adoece. Shug é uma cantora famosa, filha de um reverendo que a considera pecadora por seguir seu sonho de ser artista e por não ser casada. Shug é independente, se impõe. E ao conhecer Celie, desenvolve uma relação de afeto com ela. Shug relembra para Celie o quanto ela é bonita e o quanto o sorriso dela é bonito e merece ser visto. O encontro com Shug muda a vida de Celie, pois ela ajuda Celie a ter notícias de sua irmã, a quem tanto ama e sente falta. A partir daí Celie lê toda história de sua irmã sobre a passagem da sua irma e a esperança de que ela voltorá ” me verá ao por do sol”.
Celie tem seu grande momento em um jantar de família, ela se liberta e fala todos o males que agora não a prendem mais.
Para concluir, entender trouxeram representatividade e destaque a causas negras, feministas e lésbicas.
A obra deixa clara a necessidade de dar continuidade a lutas que começaram com mulheres como Celie, Sofia e Doci Avery. As injustiças sofridas pela protagonista foram as mesmas de muitas mulheres reais, que lutaram para ter voz. Ao terminar nos sentimos inspiradas e obstinadas a utilizar a voz que, graças a essas mulheres.


2020 tinha muitos planos, mas agora é renovar e tentar
inovar em 2021. Agradeço pelo seu artigo me ajudou e
compartilhei nas redes sociais.