#LazerEmCasa: Alô, Privilégio? É a Chelsea
A dica de #LazerEmCasa desta semana é o documentário Alô, Privilégio? É a Chelsea (2019), dirigido por Alex Stapleton e estrelado por Chelsea Handler, que fala sobre a branquitude estadunidense e o seu papel na luta antirracista.
A obra mostra a história de Chelsea, uma mulher branca, que — depois de se conscientizar e de se perceber como racializada — deseja examinar o conceito de privilégio branco.
Para isso, Chelsea inicia seu trabalho buscando pessoas negras para dialogar e entender as diferentes formas de manifestação do privilégio branco. Como resposta de diversos artistas, intelectuais e jovens pretos, ela recebeu questionamentos como: “por que a branquitude não problematiza sua história?” e “por que a branquidade não discute ou procura pessoas brancas para falar sobre este tema?”.
Outra personalidade que se destaca no documentário é Tim Wise, homem branco, que escreveu o livro Dear White America. Ele traz falas importantes sabendo o seu lugar na sociedade e destaca sempre que as pessoas negras estão cansadas de falar sobre raça com eles. “Privilégio dos brancos é um problema dos brancos. Se torna um problema para os negros, porque nós (brancos), não lidamos com isso”, evidencia o autor.
Um posicionamento branco que fica evidente no filme é o de não se enxergar como privilegiado, nem racializado, tampouco reconhecer as desigualdades raciais existentes. A alienação de achar que “somos todos iguais” influencia na perspectiva da branquidade em entender as concessões de políticas afirmativas como “vantagens” e não como uma forma de garantir que um grupo social não continue sendo marginalizado.
A concepção deturpada de direitos e privilégios naturaliza o pacto entre sociedade branca e Estado, reforçado por um ideário de pele alva e pelo alvo. Ser branco implica em valer-se automaticamente de privilégios, indiscutivelmente construídos num mundo feito por e para eles.
Uma das pautas que também atravessa o filme é: qual é o papel do branco na luta antirracista, a partir do momento em que ele não enxerga o seu privilégio branco? Não é só sobre dizer “eu sei que sou”, mas também é sobre entender o papel das relações sociais, como se é beneficiado nestas relações e como agir diante deste privilégio.
Esta obra é de extrema importância para despertar a consciência sobre qual lugar ocupamos nas relações dentro de uma estrutura social racista. Reiteramos, por fim, o que Ângela Davis afirma: numa sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista.

