#LazerEmCasa: Raça Humana

“Um dia rico, um dia pobre, um dia no poder, um dia chanceler, um dia sem comer, coincidiu de hoje ser meu dia de mendigo… meu amigo, se eu quisesse, eu entraria sem você me ver”

Este é um trecho da música “Extra II (O Rock do Segurança)”, que abre o álbum Raça Humana, de Gilberto Gil, lançado em 1984. A dica do PET #LazerEmCasa desta segunda é essa obra fascinante e atemporal, um presente que Gil nos da na década de 80, com um conteúdo rico e necessário, com um repertório diverso e letras que ainda dizem muito sobre a sociedade brasileira.

Reafirmando ser um artista versátil (e fugindo das caixinhas delimitadoras em que artistas pretos(as) costumam ser colocados(as)), Gilberto traz um repertório múltiplo, com músicas nos gêneros Rock, Reggae e Funk, além, é claro, da MPB.

As letras denunciam as mazelas que o racismo traz à comunidade negra brasileira, dialogando com teorias que se estudam no campo das relações étnico-raciais. A faixa que abre o disco (citada no início) explicita a violência arbitrária que pretos e pretas sofrem pelos seguranças, policiais ou guardas. Já “Feliz por um triz” denuncia essa necessidade contínua que se tem de escapar para sobreviver à fome, às balas perdidas, enfim, à violência a que os(as) negros(as) são expostos(as). Outra canção também emblemática do álbum é “A mão da limpeza”, na qual Gil expõe que a sujeira que a branquidade diz ser do(a) preto(a), é uma invenção dos próprios brancos.

Toda a obra revela uma intenção político-social de denúncia. Aqui vemos, mais uma vez, a arte sendo também teoria para abordar as questões e problemáticas que são extremamente relevantes. Ouçam o álbum e apreciem a arte preta! ✊🏿✊🏽✊🏻

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