#LazerEmCasa: Pele Negra, Máscaras Brancas
A dica de #LazerEmCasa desta semana é Pele Negra, Máscaras Brancas, primeiro livro publicado por Frantz Fanon, que se tornou um clássico dos assuntos que analisam a diáspora africana.
Frantz Omar Fanon foi um psiquiatra, filósofo e ensaísta marxista, de ascendência francesa e africana. Fortemente envolvido na luta pela independência da Argélia, foi também um influente pensador do século XX sobre os temas da descolonização e da psicopatologia da colonização.
Suas obras foram inspiradas em mais de quatro décadas de movimentos de libertação anticoloniais. Ele analisou as consequências psicológicas da colonização, tanto para o colonizador quanto para o colonizado, e o processo de descolonização, sendo Pele negra, máscaras brancas um dos livros que elucida esses temas.
Essa obra é interdisciplinar, pois transcende as fronteiras acadêmicas: tendo não só forte caráter sociológico, epistemológico, político e poético, mas também a utilização da psicanálise para propor um conjunto de mecanismos retóricos que implementam diferentes maneiras de abordar o problema das relações entre negros e brancos pautadas pelo racismo.
Influente até hoje, esse clássico alimenta muitos dos discursos e das teorias antirracistas contemporâneos, e serviu de referência até para o clipe This is América, do cantor Childish Gambino (pseudônimo de Donald Glover), que tem toda uma composição cheia de referências audiovisuais sobre como é essa América formada pelo processo colonizador escravocrata.
Embora as análises do autor possam ser usadas para compreendermos as diversas formas de dominação utilizadas nas diferentes nações da diáspora africana, o fio condutor da discussão do livro se inicia no estudo do racismo no contexto colonial francês. Para Fanon, a colonização não se limita à subordinação material de um povo, pois ela também fornece os meios pelos quais as pessoas são capazes de se expressar.
Em síntese, a obra de Frantz Fanon elucida as questões identitárias da população negra, sem reproduzir os estereótipos criados pelo colonizador sobre o negro e restituindo a humanização dos corpos pretos. Toda narrativa é produzida a partir da perspectiva do oprimido, (re)afirmando o que o autor defende: que o negro escreva e conte sua própria história e cultura. Fanon nos convida à compreensão das mazelas oriundas do processo de colonização e das opressões sociais e políticas. E o PET te convida para inteirar-se das diversas questões elucidadas no livro.
Boa leitura!

