O PET entrevistou os alunos Geraldo Lemos e Luan Andrade que retornaram da programa Ciência Sem Fronteiras (CsF). Os alunos relataram suas experiências e deram dicas para os futuros alunos que irão participar do programa.
Luan Soares Andrade, aluno da segunda turma do curso de Sistemas de Informação, primeiro estudante a ir para o intercâmbio do Ciências Sem Fronteiras (CsF) na Universidade de Coimbra.
Como fez a escolha da Universidade? Eu só conhecia 3 universidades portuguesas: Universidade de Coimbra, Universidade do Porto e Universidade do Minho. Na época escolhíamos 6 opções de universidade/curso. A lista de opções de universidades dentro de Portugal era grande. Eu fiz minha pesquisa e optei pela ordem dos melhores cursos na área de TI no país. Fui escolhido pra primeira opção: Engenharia Informática na UC.
Como foi o processo desde a sua inscrição até a data da viajem? Existe o processo teórico (como deveria ter acontecido) e o processo prático (como realmente aconteceu). Primeiro como estava em edital: fase de inscrição, envio dos documentos (Lattes, histórico, etc), homologação da universidade de origem, teste de proficiência, inscrição nas universidades (etapa semelhante ao SISU em que escolhemos as opções), e finalmente as universidades escolhem os alunos. Cada uma dessas etapas sendo eliminatória e classificatória. Também nos era oferecido estágio nos últimos meses do intercâmbio, compondo um total de 9 meses de estudo e 3 de estágio. Como realmente foi: fase de inscrição, envio dos documentos, alterações no edital, adiamento das datas, inscrições nas universidades, alteração no edital, adiamento das datas novamente, universidades contataram os alunos aceitos e houveram mais alterações no edital. Durante todas essas alterações no edital foram alterados: datas, valores, tempo de estadia e removido o estágio. Como as datas foram alteradas muitas vezes, foi tudo muito corrido a partir daí, menos de um mês e meio pra preparar tudo: passaporte, visto, conversar com a universidade (não houve processo de homologação). Só o passaporte leva 10 dias úteis pra ficar pronto. O visto tem de ser agendado com semanas de antecedência (a procura aumenta MUITO quando sai o resultado de algum programa desses); normalmente o visto fica pronto em 3 meses mas abriram uma exceção para conseguirmos em 3 semanas; mesmo assim era inviável já que eu consegui agendar minha entrevista para 2 semanas antes da viagem (só pode agendar com a passagem comprada. observação: alguns consulados só emitem o visto se tiver com a passagem de ida e volta compradas – foi o caso do consulado do Rio. Dica: comprar passagem de ida e volta de uma vez é mais barato). São muitos documentos então, reforçando, foi um mês de muita correria. Como já disse antes, a Rural estava em greve, então foi difícil o contato pra regularizar a situação por aqui também. Meu visto ficou pronto bem rápido (foram 4 dias) então depois disso foi só esperar a viagem.
Não.
O que te mudou, depois dessa experiência? Conviver com pessoas diferentes, conhecer métodos diferentes de se fazer as mesmas coisas, lugares diferentes, isso tudo te faz diferente. A gente carrega um pouquinho de cada experiência que a gente passa na vida, nunca tive tanta experiência concentrada em tão pouco tempo antes pra agregar como essa;
Qual o conselho você daria pra quem quer se inscrever no programa? PLANEJAMENTO. Você vai perder semestres. Você não vai conseguir aproveitar muitas disciplinas. Você vai se enrolar com as disciplinas. Sua vida pessoal vai virar de cabeça pra baixo. Sua vida acadêmica também. Jogue com as regras que você tem. Não há mais garantia de estágio como no primeiro edital do programa. Você tem, por contrato, que permanecer no Brasil pelo mesmo tempo que esteve fora assim que voltar. Por isso eu digo: planeje tudo. Monte diversas combinações de disciplinas (priorize as que não teria oportunidade de estudar na universidade de origem) porque você vai mudar de ideia algumas vezes, planeje estudar muito mais do que estudava aqui, planeje os locais que gostaria de conhecer, faça contatos.
Geraldo Lemos, aluno da primeira turma do curso de Sistemas de Informação, realizou seu intercâmbio em uma HBCU. Quais são as Universidades e Instituições Comunitárias de Ensino Superior Historicamente Negras (HBCU) são novas parceiras do Programa Ciência sem Fronteiras nos Estados Unidos. As HBCU consistem em uma associação de instituições criadas nos Estados Unidos, antes de 1964, com a missão histórica e contemporânea de educar negros, sendo abertas a indivíduos de todas as etnias. Estas instituições destacam-se pelo ambiente universitário acolhedor e de excelência acadêmica, assim como por seu legado único para as necessidades específicas da população afro-americana.
Por que você decidiu se inscrever no CSF? Há muito tempo queria fazer um intercâmbio para melhorar meu inglês, quando soube da oportunidade de estudar um ano no exterior achei que seria o ideal. Decidi me inscrever no CSF no momento que consegui me inscrever no exame TOEFL gratuito que foi aplicado na universidade.
Como fez a escolha do país? Escolhi os Estados Unidos porque era o único que aceitava o exame TOEFL PBT e eu não queria ir para Portugal, apesar de eu ter feito o TOEFL ITP eu estava na esperança de mudarem o edital, pois ambos os exames eram parecidos e o TOEFL ITP estava sendo aplicado nas universidades para ser utilizado no CSF, mas não foi esclarecido qual país aceitaria. Algumas semanas depois do exame e de encerrarem as inscrições o edital foi alterado e minha inscrição foi homologada.
Como fez a escolha da Universidade? Tive pouco tempo para escolher a universidade, mas minha chamada também possuía poucas opções. Tentei escolher aquela que parecia ter a melhor estrutura, o melhor curso de Ciência da Computação e também que fosse possível morar no campus, pois seria mais fácil me instalar e teria mais contato com os outros alunos.
Como foi o processo desde a sua inscrição até a data da viajem? O processo foi bem cansativo, faltavam várias informações, como eu já disse, eu não sabia nem mesmo se meu teste de inglês seria aceito e ficar esperando os resultados também não é nada fácil. Além disso tive que fazer redações, comunicar com a universidade, com a CAPES e com o IIE (Institute of International Education), viajar algumas vezes para tirar o passaporte e o visto e ainda fazer algumas coisas que se quer foram utilizadas, como vários exames médicos que a universidade pediu.
Como foi o processo de adaptação a nova cultura? Passou por alguma situação constrangedora? A cultura é muito diferente, mas eu não tive problemas. A universidade ajudou bastante, nos apresentou aos outros alunos de outros países, os professores incentivaram a nossa participação em competições junto a outros alunos e acabamos nos tornando amigos dos professores fora da sala de aula também. Pagamos vários micos, ficamos perdidos algumas vezes, em outras tivemos dificuldade em comunicar e até mesmo em saber qual comida ou bebida pedir.
Fez amizades durante o intercambio? Sim, fiz algumas amizades, além dos outros 3 brasileiros que moravam comigo fiz amizade com alguns alunos que eram colegas no time de robótica que montamos e também com os professores.
Sentiu saudades do Brasil, Homesick? Sim, senti saudade de tudo, família, amigos, clima, comida e etc.
Como era a alimentação, teve problema com a comida? A alimentação foi a pior parte, a comida de lá é muito diferente, eu tinha que comer na universidade e não havia cozinha no alojamento. As refeições na universidade eram bem feitas e tinha muitas opções, mas não é o que estamos acostumados.
Como transporte, era fácil se locomover? Não, foi complicado. Todo mundo da universidade tinha carro e só havia um ônibus que levava pro supermercado e pro shopping. Quem mais ajudou com o transporte foi uma amiga e um professor.
Qual o conselho você daria pra quem quer se inscrever no programa? Aproveite as atividades extracurriculares, não fique só fazendo disciplinas que você já fez no Brasil ou vai fazer ainda, faça algo de diferente que vai complementar sua formação.









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