UFRRJ e Prefeitura de Nova Iguaçu realizam seminário sobre Economia no auditório do IM/UFRRJ

Durante três dias (22, 23 e 24 de agosto), a Prefeitura de Nova Iguaçu e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro promoveram, no auditório do Instituto Multidisciplinar (câmpus Nova Iguaçu) o 1º Seminário de Economia, Finanças e Desenvolvimento de Nova Iguaçu. O objetivo foi discutir os desafios e a perspectiva das finanças públicas a partir do desenvolvimento local e regional, levando em consideração a expectativa econômica, política e fiscal do país. A ação conjunta da prefeitura iguaçuana com a UFRRJ se deu através da Secretaria Municipal de Economia e Finanças e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Turismo de Nova Iguaçu. Pela Rural, firmaram a parceria a Pró-Reitoria de Planejamento, Avaliação e Desenvolvimento Institucional e o Grupo de Pesquisas de Políticas Econômicas.

A mesa de abertura do evento contou com as presenças do Reitor da UFRRJ, professor Ricardo Berbara, e das seguintes autoridades e convidados: o vice-prefeito de Nova Iguaçu e secretário de Economia e Finanças, Carlos Ferreira (representando o prefeito da cidade, Rogério Lisboa); secretário de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Turismo de Nova Iguaçu, Fernando Cid; Sr. Cláudio Rosemberg, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Nova Iguaçu (CDL); Décio Lima, representante do SEBRAE e da aluna Taís Côgo, do curso de Economia da UFRRJ e estagiária da Prefeitura de Nova Iguaçu.

O Professor Ricardo Berbara começou sua fala exaltando a parceria da UFRRJ com a prefeitura iguaçuana, tanto no âmbito acadêmico quanto na esfera social. Ele citou as discussões com a Secretaria de Assuntos Estratégicos de Ciência e Tecnologia da prefeitura no sentido da criação de um pólo de desenvolvimento científico e tecnológico no município.

Outra iniciativa da Universidade Rural em conjunto com a prefeitura de Nova Iguaçu foi o consórcio de agricultura familiar, que vai causar um impacto fundamental neste setor da economia. Berbara também lembrou do fórum de educação inclusiva, para alunos portadores de necessidades especiais.

O Reitor lembrou que tanto a Administração Superior da UFRRJ quanto a gestão atual da prefeitura têm pela frente quatro anos de mandato, período em que muitas outras ações em conjunto poderão ser realizadas. Ele parabenizou o vice-prefeito Carlos Ferreira e todos os organizadores pela realização do seminário, que significa um marco na parceria da prefeitura de Nova Iguaçu com a UFRRJ.

Em sua saudação ao público presente, o vice-prefeito Carlos Ferreira agradeceu aos membros da comissão organizadora do seminário, nas pessoas do Pró-Reitor da PROPLADI/UFRRJ, Roberto Rodrigues, do secretário Fernando Cid e dos alunos integrantes da comissão, que também estudam Economia na Universidade Rural, câmpus de Nova Iguaçu. Ferreira destacou ter sido essa a primeira vez que um seminário desta natureza é realizado na cidade. E, para surpresa dele e de todos da comissão organizadora, no terceiro dia de inscrições, as palestras já estavam com sua lotação máxima, o que comprova o interesse de parcela considerável da população em debater assuntos da economia e do desenvolvimento local, no rumo da construção de uma sociedade mais justa, humana e sustentável em nossa região. Nesse sentido, o vice-prefeito exaltou a parceria com a UFRRJ como alavanca desse processo, prestando importante missão de mistura do saber acadêmico com o saber popular e a prática governamental e empresarial, mantendo um diálogo constante entre os diferentes setores da sociedade. Ferreira acrescentou que este seminário pretende levantar o debate sobre os desafios e perspectivas de nossa economia e das finanças públicas, a partir do desenvolvimento local e regional e levando em conta a atual conjuntura econômica, política e social do país. O secretário de Economia e Finanças destacou a importância de Nova Iguaçu, cidade com quase 800 mil habitantes, 520 km. de extensão territorial e localização estratégica, entre o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

É considerada a “capital” da Baixada Fluminense e a 34ª cidade do país em número de habitantes, num universo de 5.570 municípios brasileiros.

De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do ano passado, Nova Iguaçu detém o 8º PIB do país e cuja arrecadação mensal varia entre 85 e 90 milhões de reais, perfazendo um total de um bilhão e cem milhões anuais. Ele reconheceu que a receita do município ainda é insuficiente para fazer frente aos inúmeros desafios de investimentos em políticas públicas que melhorem a qualidade de vida nos bairros e a prestação de serviços públicos. O vice-prefeito informou que a atual gestão municipal ainda vive um estado de calamidade financeira e sanitária, decretado em função do quadro caótico herdado da administração municipal anterior. Ele apontou um sério problema que trava o desenvolvimento dos municípios: a distribuição desequilibrada e desigual dos recursos tributários, onde 60% da arrecadação fica com a União, 30% com os estados e apenas 10% são destinados aos municípios.

Pelo SEBRAE de Nova Iguaçu, Décio Lima também enalteceu a parceria entre os setores público e privado visando o crescimento econômico e o progresso social da cidade, assim como Cláudio Rosemberg, representante da CDL local e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico local.

Em seguida, a aluna do curso de Economia da UFRRJ Taís Côgo, lembrou da importância e contribuição do empreendedorismo para a economia do município, num cenário de crise econômica pela qual passa o país. Ela lembrou que é na periferia iguaçuana que vemos muitas práticas empreendedoras acontecerem, na produção rural e no comércio informal. Taís disse que conhece essa realidade difícil, em função de sua família ter desenvolvido ações empreendedoras e também pelos conhecimentos teóricos adquiridos durante o curso de Economia na UFRRJ. Ela explicou que, à medida que os empregos formais escasseiam em função da recessão na economia, aumentam as atividades econômicas informais, o que faz com que as pessoas busquem desenvolver empreendimentos por sua própria conta e risco, na luta pela sobrevivência. O vendedor ambulante é um exemplo claro disso, bem como o pequeno comércio da periferia e os plantadores de aipim. O empreendedorismo necessita de reconhecimento por parte do poder público e da sociedade, defendeu Taís, pois gera aumento do consumo e da arrecadação para o município e renda para quem o desenvolve. Ela fechou sua fala afirmando que Nova Iguaçu precisa de mais ações de empreendedorismo, pois ele é um dos fatores determinantes para o desenvolvimento territorial sustentável. A estudante de Economia da Rural atualmente é estagiária da Secretaria de Agricultura e Turismo de Nova Iguaçu.

Já o Secretário da SEMADETUR, Fernando Cid, também colocou a importância da parceria entre a UFRRJ e a prefeitura de Nova Iguaçu. Segundo ele, a Rural, como pólo de excelência em estudos, reflexões e pesquisas dos mais variados assuntos, será fundamental para a busca de soluções ao lado de um ente municipal responsável pela implementação de políticas públicas. Ele elogiou a decisão acertada do prefeito Rogério Lisboa em jogar luz sobre a discussão da Economia, pois sem a superação dos problemas econômicos será impossível o enfrentamento dos problemas sociais que assolam o município de Nova Iguaçu. Outra preocupação da gestão do prefeito Rogério Lisboa, segundo Cid, é buscar popularizar o debate sobre temas econômicos e por isso também se justifica a realização deste seminário. O secretário defendeu que a Economia não fique apenas circunscrita à esfera acadêmica, mas também ganhe as ruas através do diálogo, da participação e interlocução com as diversas forças produtivas locais. Ele citou a existência do Conselho de Desenvolvimento Econômico da cidade como prova disso. Fernando Cid também lamentou a incapacidade atual do poder público de formatar um projeto de cidade para Nova Iguaçu e isso pode ser comprovado, dentre outros aspectos, pelo simples fato do município não dispor de economistas em seu quadro de servidores públicos. O alto grau de pobreza, violência e criminalidade na Baixada também foi apontado por ele como um dos entraves ao desenvolvimento de Nova Iguaçu, que também possui muitos atrativos. Dois terços de seu território são cobertos por áreas de preservação ambiental, como a Reserva do Tinguá e o Parque Natural Municipal da cidade. Ele destacou também a existência de um vulcão na Serra de Madureira, que poderia fomentar uma política de ecoturismo local (no local, há uma rampa de vôo livre, usada para a prática esportiva do parapente e da asa delta) ao lado da maior represa de água do mundo, que é a Estação Adutora do Rio Guandu. Por fim, o secretário voltou a enfatizar a importância do esforço pela busca de soluções conjuntas com os diversos atores sociais, dentre eles a UFRRJ, para a superação dos problemas de Nova Iguaçu e da Baixada Fluminense.

Mesa de debates do primeiro dia

A mesa de debates do primeiro dia do seminário foi sobre o tema “Economia Brasileira e Perspectivas de Recuperação” e contou com as participações do vice-prefeito Carlos Ferreira e do Pró-Reitor de Planejamento, Avaliação e Desenvolvimento Institucional da UFRRJ, professor Roberto Rodrigues. Ambos atuaram como mediadores. Os palestrantes foram os professores Carlos Pinkusfeld, da UFRJ, e Luciana Ferreira, da UFRRJ.

O primeiro a se pronunciar foi Carlos Pinkusfeld. Professor adjunto e mestre em Economia pela UFRJ, com doutorado pela Economics-New School for Social Research (EUA), com especialização nos temas de desenvolvimento econômico, política econômica e dívida pública. Ele começou alertando que o estudo de Economia é uma coisa “chata, mas necessária, ainda mais em função da atual conjuntura de crise pela qual passa o Brasil”. A visão política e ideológica de mundo sempre vai permear e embasar a opinião dos economistas sobre a questão econômica. Por isso, a divergência entre eles ultrapassa as questões normativas inerentes ao estudo da ciência e envolvem projetos de vida, de percepção da realidade a partir das próprias experiências de vida.

O professor afirma que o primeiro grande problema para a compreensão da ciência é a forma de comunicação, pois os economistas falam em uma linguagem específica, assim como os médicos. Isso acontece com as demais profissões, cada uma tem a sua retórica técnica específica. O outro problema está relacionado ao fato dos mesmos não explicitarem as hipóteses que estão por trás da forma da análise econômica.
Pinkusfeld assinalou que quando se fala em crescimento econômico, não é apenas um fetiche do economista. Ou seja, sem crescimento econômico não há aumento na produção e sem isso não há como motivar o consumo das pessoas. Outro dado importante diz respeito à necessidade do crescimento da renda “per capita”, que no Brasil é muito baixa. A renda per capita define o conjunto de bens e serviços que as pessoas querem e merecem ter. No entanto, ele alerta que sem crescimento econômico nunca a sociedade brasileira terá acesso à saúde e à educação melhores, por exemplo. O crescimento econômico – salientou ele – é a única forma de acesso a uma vida de melhor qualidade, a despeito das desigualdades na distribuição da renda.

Outro dado importante na economia capitalista é a expansão do sistema de crédito, o que explica boa parte do crescimento econômico do país a partir da década de 2000/2010. E o que explica também a desaceleração econômica a partir de 2011 foi o encolhimento do crédito. Quando o crédito cresce, aumenta também o consumo das famílias, ocorrendo o contrário quando o crédito cai.

Na mesma linha de interpretação, o professor de Economia da UFRJ cita a questão do investimento empresarial, que constitui-se em todo o maquinário que o empresário compra para aumentar sua capacidade produtiva. O investimento, portanto, responde à demanda pelo produto. Ou seja, ele só vai investir quando perceber que existe forte perspectiva de demanda futura por aquilo que ele produz, capaz de fazer frente ao gasto em forma de investimento feito.

Outro dado é o da produtividade. Ela está associada à incorporação de novas tecnologias no processo de produção. Um país é incapaz de crescer com sustentabilidade se não incorporar, progressivamente, técnicas mais modernas de produção, aliado a uma capacidade de inovação para que possa vender para o restante do mundo algo que gere o interesse pelo seu consumo.

A outra palestrante do dia foi Luciana Ferreira, professora adjunta do curso de Economia da UFRRJ, com Mestrado pela UFF e Doutorado em Economia pela UFRJ. Luciana é especialista em estudos da distribuição de renda e de salários na Baixada Fluminense, em mercado de trabalho e distribuição de renda no Estado do Rio de Janeiro.

A professora Luciana deu início à sua fala colocando que a Economia é formada por agentes econômicos, trabalhando em diferentes funções que geram uma produção qualquer. Entende-se como produção a soma de bens e serviços resultantes de um processo econômico gerado por diversos setores, como família, governo, empresas, instituições financeiras, etc. Esses bens e serviços vão gerar uma renda, que acompanha essa produção. Os agentes econômicos (trabalhadores, empresários e governo) serão aqueles que vão se apropriar dessa geração de renda. Tais bens produzidos serão destinados ao consumo da sociedade, sendo direcionados também para outros investimentos.

A partir da geração de renda e sua apropriação pelos agentes econômicos, teremos a distribuição funcional da renda, ou seja, a forma como essa renda é dividida entre aqueles atores que desempenham alguma função no processo produtivo, no caso na forma de lucro para os empresários e salários para os trabalhadores. Além dessa distribuição funcional da renda, temos também a distribuição pessoal da renda, aquela que fica retida com o indivíduo e sua família. Ela será oriunda dos esforços do lucro e do trabalho, mas também das transferências de renda, como a Previdência Social. E quando se fala em distribuição funcional da renda, temos que olhar a questão da distribuição dos salários. Pelo fato do mercado de trabalho ser heterogêneo, também haverá heterogeneidade nos salários dos trabalhadores, com desdobramentos na distribuição pessoal da renda.

Segundo a professora Luciana, essa produção de bens e serviços tem uma contraposição em geração de renda, classificada como Produto Interno Bruto (PIB). Ele se define como a produção total de bens e serviços, que pode ser dividida entre setores produtivos da atividade econômica. Em nosso país a produção de serviços chega a 70% do PIB, vindo em seguida a produção industrial, em torno de 20% do PIB. Ela apontou uma queda brusca da produção da indústria brasileira a partir de 2011. O menor percentual do Produto Interno Bruto vem da agricultura e pecuária, com algo em torno de 5%.

Luciana mostrou que o país está aos poucos deixando de produzir bens, ao mesmo tempo que aumenta no PIB a participação do setor de serviços.
Ela lembrou o que foi dito na palestra do Professor Carlos Pinkusfeld: o empresário só vai produzir de acordo com aquilo que ele espera vender. E para que esse processo se efetive, ele precisa empregar trabalhadores. Nesse contexto, a participação dos diferentes setores nas atividades de produção de bens e serviços reflete a participação destes setores no mercado de trabalho.

Um movimento divergente na Economia foi identificado pela professora Luciana. Segundo ela, quando há uma queda na participação dos lucros, é possível constatar um aumento na participação dos salários. Esse aumento da participação salarial na distribuição da renda vai gerar conflito no tocante a apropriação dos bens pelos agentes econômicos. Carlos Pinkusfeld UFRJ

Quem vai se apoderar da maior parte da renda: o lucro ou os salários?

O Seminário estendeu-se pelos dias 23 e 24 de agosto, com palestras no Auditório do IM/UFRRJ sobre Finanças Públicas e o Pacto Federativo, Desenvolvimento Econômico e Incentivo Fiscal, Desenvolvimento Regional e Economia na Baixada Fluminense e a Crise Brasileira e a saída para os Municípios.

Por Ricardo Portugal – Assessoria de Imprensa do IM/UFRRJ

Legendas: Professor Carlos Pinkusfeld (UFRJ)

Mesa de abertura do Seminário: O Reitor da UFRRJ, Prof. Ricardo Berbara, o vice-prefeito de Nova Iguaçu, Carlos Ferreira, o secretário Fernando Cid, a aluna da UFRRJ Taís Côgo e representantes do SEBRAE e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Nova Iguaçu.

Prof. Luciana Ferreira(UFRRJ)

 

Mesa de Abertura do Seminário de Economia e Finanças de NI

Luciana Ferreira UFRRJ


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