Dissertações e teses premiadas
Marcelo Castañeda de Araujo
Ambientalização politização do consumo e da vida cotidiana: uma etnografia das práticas de compra de alimentos orgânicos em Nova Friburgo/RJ
III Prêmio ANPPAS 2010
Defesa: 08/03/2010
Banca:
Fátima Portilho – UFRRJ/CPDA (orientadora)
John Wilkinson – UFRRJ/CPDA
Lívia Barbosa – CAEPM/ESPM
A pesquisa teve como objetivo geral refletir sobre processos de ambientalização e politização do consumo e da vida cotidiana no âmbito da sociedade brasileira contemporânea, enfatizando o multifacetado campo da alimentação. As práticas de compra de alimentos orgânicos, especialmente daqueles indivíduos que não estão organizados coletivamente em movimentos sociais configuraram o objeto de pesquisa. A principal justificativa era a lacuna existente nas ciências sociais brasileiras no que se refere aos estudos sobre as perspectivas dos consumidores enquanto atores sociais e os diferentes usos que fazem de suas práticas de consumo, em especial seu uso político. Os problemas centrais incluíam questões como: as práticas de compra de alimentos orgânicos são percebidas e experimentadas pelos consumidores como uma forma de ação política? De que maneiras os consumidores lidam com os discursos e cobranças de responsabilidades pela crise ambiental? Através de uma etnografia das práticas de compra de alimentos orgânicos na cidade de Nova Friburgo/RJ e da realização de entrevistas em profundidade com consumidores, a pesquisa identificou um aumento da autonomia política individual no encontro das esferas pública e privada que se dá no campo do consumo. A compra de alimentos orgânicos é percebida e utilizada como um repertório de ação política “romântico-individualista” na esfera pública. Estas práticas se mostram capazes de alimentar pontes com a cidadania, abrindo possibilidades para a emergência de novos períodos de engajamento coletivo em um contexto de reflexividade social e sociedade de risco global.
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Maria do Socorro Bezerra de Lima
Políticas públicas e território: uma discussão sobre os determinantes da expansão da soja no sul do Amazonas
III Prêmio ANPPAS 2010
Defesa:18/08/2008
Banca:
Peter Herman May - UFRRJ/CPDA (Orientador)
Júlia Adão Bernardes - UFRJ
Magda Wehrmann - UnB/CDS
Ana Célia Castro - UFRRJ/CPDA e UFRJ/ CCJE
Georges Gérard Flexor - UFRRJ/CPDA
A tese objetiva compreender à dinâmica de expansão da soja no Estado do Amazonas, identificando e caracterizando o arranjo político-institucional responsável pelas transformações socioespaciais que promoveram a reorganização do uso do território e de seus recursos. Trata-se da questão da expansão da soja relacionando, contrapondo e argumentando que as interações dos arranjos políticoinstitucionais entre governos e suas agências, os atores privados e a sociedade civil estruturaram um campo de disputa, no qual a troca de recursos de poder, as alianças estratégicas e os interesses compartilhados visavam influenciar nas políticas públicas que sustentaram o movimento de expansão da soja no Amazonas. Concomitantemente, a problemática ambiental global e o peso da Amazônia no equilíbrio ecossistêmico concorreram para o fortalecimento do conceito de desenvolvimento sustentável que foi sendo incorporado nas diversas instâncias das estruturas institucionais e organizacionais das empresas; dos governos; do mercado e da sociedade civil, criando espaços de diálogos, arenas de disputas políticas, novas institucionalidades e sistemas de gerenciamento ambiental públicos e privados. Estas dinâmicas colaboram, sobretudo, para a reestruturação produtiva, social e territorial amazonense à medida que possibilitaram que territórios selecionados fossem conectados aos circuitos espaciais de produção e aos círculos de cooperação em nível internacional. Conclui-se que a dinâmica de (re) produção dos espaços agrícolas que incorporou à dinâmica agropecuária globalizada os campos naturais do sul amazonense se deu de forma subordinada e excludente acentuando as desigualdades sociais e regionais, além de colaborar para a promoção de externalidades negativas como a concentração fundiária e o aumento das taxas de desflorestamento.
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Andréa Simone Gomes Rente
Áreas de Proteção Ambiental como inspiração para o desenvolvimento sustentável com liberdade: o caso da criação da APA Alter do Chão
Menção Honrosa no II Prêmio ANPPAS 2008
Defesa: 10/03/2006
Banca:
Eli de Fátima Napoleão de Lima (orientadora)
Marta de Azevedo Irving
Pierina German Castelli
Nelson Giordano Delgado
A dissertação teve como fundamento um estudo de caso: a criação APA Alter do Chão, situada na região do Eixo Forte, no distrito de Alter do Chão, em Santarém, Pará. A base metodológica utilizada foi uma revisão bibliográfica que permitiu um diálogo das principais temáticas referenciadas e uma pesquisa de campo, onde se realizaram entrevistas abertas e coleta de informações em instituições governamentais municipais e federais. A pesquisa de campo teve como fim último a caracterização da área e a reconstituição do processo de criação da APA Alter do Chão através de relato oral e de observação participante. Buscou-se, a partir desses métodos, atingir os objetivos fins. Tais objetivos estão relacionados com a tentativa de compreensão de como o processo de criação de uma Área de Proteção Ambiental, no caso a APA Alter do Chão, pode ser ou não visto como inspiração para o desenvolvimento sustentável com liberdade em uma dada região, levando em conta aspectos políticos, econômicos, sociais e ambientais que permeiam tal processo. Esse processo que, em todos os níveis, se sustenta a partir da relação sociedade-natureza e, a partir da crença de que Unidade de Conservação – UC de Uso Sustentável, como as APAs e o desenvolvimento podem configurar-se como relações possíveis desde que haja uma percepção que a sociedade tem liberdade e precisa adquirir capacidades de fazer escolhas, possibilitando aos membros desta atingir um patamar em que reconheçam que a sua sobrevivência e de outras gerações dependem destas escolhas. Neste sentido, são dois os principais resultados deste estudo: o primeiro está relacionado à percepção de que as APAs enquanto estratégias de políticas públicas ambientais podem ser vistas como meios de viabilizar a relação sociedade-natureza a partir de um processo de participação democrático em que os principais atores envolvidos estejam de acordo e estimulados a usarem as mesmas na busca do desenvolvimento. E, segundo, a visão positiva do desenvolvimento, atrelando-a a processos que desencadeiam criação de UCs de Uso Sustentável, como a APA Alter do Chão.


